sábado, 12 de outubro de 2013

da infância

escrito há um tempo

criança é responsabilidade diferente. é ser, não sendo, participando. é existir sem a dureza do real. consigo enxergar nuances das minhas cores infantis. sinto o toque aveludado do azul-claro que toco ao me remeter ao meu primeiro contato social. sinto o forte vermelho quando penso no primeiro amor. consigo sentir a grande textura do marrom-escuro do primeiro proibido realizado. sinto o violeta quando consigo visualizar a primeira derrota. o preto quando tenho o primeiro contato com a repressão. o branco-acinzentado quando sou apresentado ao novo. cores. representam tanto. nostalgicamente necessárias. o azul do menino. o rosa da menina. o verde do diferente. consigo ver o brilho do amarelo das primeiras conquistas e felicidades. consigo ver no alaranjado uma busca pelo saber, pelo conhecer, pelo querer sempre mais. tão bom abrir os olhos e sentir que não estou aprisionado por essa falsa liberdade que acomete todo singelo ser humano pequeno, e sentir que o livre arbítrio é real e não mais uma façanha criada. e que todas as cores podem ser de tudo e todos.

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