segunda-feira, 2 de setembro de 2013

da felicidade

ana gostava de sentir-se querida & de fazer com que sentissem queridos. não por ingenuidade, mas por força-maior de seu pensamento positivo. queria que aqueles à sua volta provassem de sentimentos bons e alegres, e nunca daqueles feios e sujos que já tivera o desprazer de experimentar. estava cansada de sentir-se em órbita fosse por conta de outros ou por conta de seus próprios pensamentos. sabia que as coisas tomavam proporções desconhecidas ao seu desejo, mas também sabia que nem tudo estava (e nem poderia estar) ao seu controle. este - apesar de não muito bem compreendido - era o ponto alto do viver: guiar-se desenfreada & cautelosamente, conseguindo contrapor os pesos de cada uma dessas ações. ela sabia que do mundo (e para o mundo) podia servir-se (e oferecer) tanta gentileza educação & bondade quanto fosse possível. ana não era boba, talvez um pouquinho ingênua, mas preferia acreditar que as coisas tendiam ao melhor ou ao menos ao tomar de um caminho menos penoso. agia de forma que as coisas recebessem um leve empurrão ou mesmo grandes ajudas em prol de suas satisfações finais. sabia também que movia-se guiada por aquele grito ensurdecedor que poucos prestam atenção. uma das delícias da literatura é que podemos saber o que enfim aconteceu com ana, depois de tanto sacrilégio, caminhos, viveres e tentativas. ela foi feliz, mesmo que não a todo tempo. afinal, certa vez ela escrevera: a felicidade plena não era algo possível durante todo o tempo. aproveitemos suas fagulhas ou suas ocasionais labaredas perigosas: vale a pena.

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