quarta-feira, 15 de maio de 2013

sobre as possibilidades de ontem e hoje

estou numa tristeza inconsolável, ele choramingou. o que aconteceu, o outro perguntou. aquele trapinho que eu ainda tinha com seu cheiro foi jogado fora, respondeu. mas você tem de me deixar ir, meu amor, não poderás viver para sempre assim, explicou. uma morte havia separado os dois há tanto tempo, mas ele ainda mantinha vivo naquele trapinho o cheiro do outro. aquele pedacinho de pano tinha sido seu refúgio por dias, meses, talvez anos. ao fim, a obsessão com o tecido era maior ou igual à falta do outro. fazia parte do processo de desligar-se, jogar fora aquele pano, mas era um processo que ele procrastinava tanto quanto podia. naquele dia, sentiu que o peso & tristeza eram de mesmo tamanho vetor intensidade, mas de alguma forma anulavam-se, como a gravidade faz com a força normal: naquele instante, ele se entendera com o íntimo de seu eu: resolvera se entregar ao novo e descobrira que era possível ser feliz.

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