quarta-feira, 8 de maio de 2013

da fadiga do querer

antônia parava e se colocava a pensar como conseguira num abril tão belo abrir-se para a vida & numa constante concluía que na verdade fora a vida que se abrira a ela. de inerte e tomada pela falta de, ela passara a querer e ter motivos para ser quem em seu âmago ela realmente era. optara por viver escolhera pela felicidade relativizara tudo: compreendera o sentido de sua existência. o que antônia ainda ansiava talvez até se machucava era com aquela fadiga grande do querer: já sabia que tudo o que tinha de ser seria, mas não aprendera a lidar com a questão do tempo. até aprendera, superficialmente, mas levara alguns alertas da vida que a fizeram ficar calejada destruída decepcionada: tomara ciência de que nem todo ser, mesmo em sintonia - ou aquele simulacro não captável de sintonia -, estava ali na vida com o mesmo propósito. talvez o pensar demais em seu querer a fizesse pouco menos feliz do que sua realidade a oferecia, mas aquela busca ininterrupta a projetava em seus anseios. da fadiga do querer (e não poder), ela moldava tudo quanto fosse possível: do seu pesar ao seu penar & pensar. talvez, antônia parava e se colocava a pensar tanto em tudo por conta disso, mas de uma coisa ela sabia: seu abril fora mais belo do que os outros que já havia vivido, e por isso sua fadiga era mais visceral daquela vez.

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