domingo, 4 de novembro de 2012

a liberdade & o pensar

otávio chegara atrasado uma vez mais. usava como desculpa sempre que o reintegrar-se a si mesmo é um processo longo e que demanda tempo e conseguia safar-se de uma bronca no lar. bronca, aliás, que poderia (e deveria) ser questionada. afinal, não somos donos de nós mesmos, quem dirá dos outros. teoria bonita, a prática nem tanto. yara gostava de ficar sozinha, mas também gostava quando o amado chegava & ao amado cegava. otávio e yara se conheciam há exatamente duas décadas, mas enfrentavam essa batalha velada há no mínimo calculando por baixo analisando superficialmente duas vidas. o fato é que o plantar daquela semente era difícil fora difícil: o pensar não deveria ser requisitado  nem aplicado nem inserido bruscamente, apenas incitado de maneira que cresça naturalmente. no dia em que otávio finalmente reencontrara-se ele encontrara também a morte: ele não precisava mais de carne & osso nem deste mundo. yara sentira uma dor profunda, mas sabiamente (e de mesmo vetor de mesmo tamanho de mesma intensidade) alegrara-se por saber que ele tinha sido libertado.

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