domingo, 8 de julho de 2012

minha última noite

naquela noite em que a luz acabou, fiquei desesperado. meu maior temor estaria ali, representado. aquele escuro tenebroso me fazia arfar, assustado. não era exatamente pelo infinito do escuro ou pelo que o inesperado talvez reservasse. o que mais me dava calafrios era a possibilidade de estar imerso nos meus pensamentos e sozinho ter de enfrentar o mais íntimo do meu próprio íntimo. além disso, ela chegaria em pouco tempo e isso me matava aos poucos: eu, destroçado, às mínguas comigo mesmo, num encontro com ela, que tanto me sugava, que tanto me desnutria. ela era ninguém menos que minha própria consciência, que me assombrava sempre que podia e que enxergava nos meus erros a chance única de me contestar. naquela noite em que a luz acabou, entretanto, ela não me faria batalhar naquele combate usual. aquela seria a última vez que eu iria temer algo: do escuro recebi um abraço último: como um último trago, desapareci: aquela era minha despedida deste mundo. 

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