sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pensar penar pesar

João observava que seu futuro era tão incerto quanto seu presente, ambos justificados apenas pelo desejo de viver a vida da forma que ela se oferecesse a ele. Ele sabia - e lidava bem com isso - que isto o deixava vulnerável principalmente às pessoas e situações que, sem pensar e pesar o penar era a sua mais óbvia realidade, a mãe de seus acertos. Como bom filho, buscava em suas decisões afirmar que não acreditava em mal caminho influência má ou mesmo no impossível. O penar configurava-se alicerce em encruzilhadas do seu viver. Era também objeto fácil presente em sua convivência. No impossível, encontrava quase a força motriz do seu respirar. E seguia assim, compartilhando seus erros e perdas e buscando nos acertos e vitórias encontrar a humildade necessária para trilhar sua jornada. Do gosto e amor pelo amargo conseguira conquistar a apreciação imediata do puro do simples do bem. Não entendia muito bem a lógica utilizada por trás de alguns conceitos que estapafúrdio tentava vez em quando se esquivar vez em quando abraçar de vez. Não conseguia ir contra, pensava, vou a favor, quem sabe não consigo mudar o âmago daquilo? Pobre dele, claro, que nem imaginava, era que durante todos os vinte e quatro anos que ainda viveria, enfrentaria o mesmo trajeto de sempre: penar, pesar, pensar, não necessariamente nessa ordem.

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