segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

tanto amor

o problema de joão é que ele amava josé maria roberto e adalberto e ainda gostava do prazer de sentir o gosto da falta de vírgulas na boca. da mesma forma que joão, josé amava maria roberto adalberto e joão. eram lampejos loucos sinceros puros e singelos de facetas de um amor tranquilo amor sadio de amor de pura forma composta e simples e tudo ao mesmo tempo. maria amava roberto adalberto joão e josé da mesma forma que também amavam a todos roberto e adalberto. uma reciprocidade sem tamanho jamais vista jamais pensada jamais vivida bradara um dos cinco ou uníssonos bradaram os cinco àquela sentença sem vírgulas. josé maria roberto e adalberto lembraram de se indagar qual seria o problema que joão enxergava naquele amor múltiplo sincero imaculado inocente limpo e joão só sabia dizer que não sabia explicar e que o problema na verdade não era problema não fora problema e não seria problema: ele só tinha medo de que um dia da mesma forma que surgira este amor esvairia. maria sempre pés ao chão mesmo tamanha confiança naquele amor bradara de forma sutil com uma quase-raiva quase-evidente que aquilo era aquilo e pronto: era verdadeiro: não havia mais nada a se preocupar.

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