sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fuga impreterível

Ela andava pensava fugia de si mesma. Andava para um lado e para o outro e para cima e para baixo e deitava-se e ficava de cabeçaparabaixo e de cabeçaparacima e ansiava ansiava e tentava esconder a grande loucura que a acometia naquele momento. Enquanto olhava pela janela, enxergava nada mais além do cinza do céu aquele cinza que a fazia ter vontade de não ter vontades de se tornar o mais inerte dos seres. Aninha estava apaixonada e constantemente tinha loucuras e vontades e desejos e anseios e esses tipos de calamidade mental este tipo de destruição mental essa nada mais do que normal e quase intrínseca entrega à insanidade. Ia do róque ao trash do industrial ao blues e ao jazz da literatura portuguesa pros mal contados contos russos e para o cinema trash europeu. E se perdia. Em meio a tanto que queria tanto que pensava precisar ela se calava se isolava e já não mais queria e ja não mais se esforçava. Morrera só.

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