terça-feira, 15 de março de 2011

La mer

Louis pensava que sua bravura era indômita e que sua coragem era suficiente para enfrentar aquilo. Ed, pouco mais velho, acreditava ter encontrado a pessoa certa. O fato mais engraçado era que ninguém procurava ninguém. Foram apresentados um ao outro pela água e pela água fizeram o primeiro pacto mútuo e silencioso. Talvez tivessem reencontrado algo que há muito tivessem perdido e nenhum sabia dizer com certeza. Muitos brilhos nos olhos, muitas trocas espontâneas cordiais sinceras naturais. Era estranho, um pensava. O outro, encontrava-se num estado de espírito que fugia à qualquer tipo de compreensão terrena mas que não alcançava o que era conhecido como reino divino. Contentava-se com apenas o agnóstico. E o nostálgico. Eram melancólicos na dosagem certa, mas eram também vorazes e amaldiçoados de iguais medidas. E estavam em luta árdua da tentativa de compreender o verbo ter. O ter pode transgredir barreiras quando o objeto querido na verdade é um ser? E o ser, enquanto objeto, pode ser realmente tido? Encontravam-se emaranhados no meio de vontades e acreditavam estar trilhando um caminho possível. Louis, com sua indômita bravura, sua coragem suficiente e sua vontade de desaguar combinava com o acreditar de Ed. [À suivre...]

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