quinta-feira, 29 de julho de 2010

A fitinha no braço.

 Para Priscila

Não era a primeira vez que ela amarrava aquela fitinha no braço, confessara. A memória, não sabe-se por qual motivo, somente se lembrava de datas de aniversários uma semana e dois dias antes das datas reais. Era sempre assim, uma semana e dois dias antes dos aniversários de seus entes e amigos, ela amarrava aquela fitinha no braço. 

Uma vez, ela amarrara a fitinha no braço e contara ao amigo sobre sua memória & seu problema com datas de aniversários. Depois disso, passaram-se dois dias e ela seguia com sua rotina. Ainda não aconteceu o aniversário?, perguntara o amigo. Eu te contei sobre minha memória & meu problema com datas de aniversários, lembra? 

Com os já passados dois dias, só restava mais uma semana e a data de aniversário representada pela fitinha logo chegaria. Então mais um dia se passou, e depois outro, logo mais dois se foram e mais outro, até que havia passado os sete dias que faltavam. Além deles, outros dois dias. E a fitinha ainda no braço.

De repente, com um susto, ela se lembrava. Meu Deus, esqueci do aniversário. A fitinha, amarrada sempre uma semana e dois dias antes dos aniversários, de nada servira servia serviria. Servia sim para alimentar o motivo pelo qual sua memória somente se lembrava de datas de aniversários uma semana e dois dias antes das datas reais.

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