sábado, 12 de junho de 2010

Sobre tempestade, calmaria e simulacro.

Quando colocamos os pés num local que tenha areia movediça, só há duas opções: ou a gente se deixa levar e encontra, então, o que existe depois que a areia nos consome por inteiro ou podemos tentar sair, correndo o risco de sermos engolidos mais rápido do que se não lutássemos. Com a segunda opção, há uma chance de salvação sem perda, porque, provavelmente, se a areia nos consumisse, morreríamos.

Eu quase deixei a areia me consumir por inteiro numa situação recente. E foi tudo muito tempestuoso. Encarei tempo difícil e, por mais incrível que pareça, pedi, recorri, implorei para que a calmaria aparecesse logo. Apesar da demora, ela apareceu. E me fez bem. E desmitificou, pra mim, que a tempestade é melhor do que ela.

Por um bom tempo da minha vida, julguei que a calmaria seria uma das piores situações pela qual um ser humano poderia passar. A tempestade, voraz, viva, prática e frenética, precisa de ações rápidas, de decisões imediatas, de tentativas, tentativas e, enfim, de um grande acerto - você encontra um local seco, protegido da chuva e, pronto, você lida com a chuva, com a situação. Mas, não é tão simples assim. A tempestade nem sempre é positiva.

Ansiei tanto pelo momento da calmaria, logo eu que tanto a menosprezei durante um período da vida. A chuva estava forte demais. Muitos clarões no céu, muito barulho, muito vento. Não havia locais seguros para esperar pela calmaria. E olha que o tipo de tempestade era bem conhecido dos meus eus. 

Fecho um capítulo grande aqui, com este post. Demorou 207 posts, mas, entendi. O meu Simulacro e minha Calmaria poderiam ter convivido juntos durante esses dois anos, mas sempre optei pelo simulacro à calmaria. E inclusive desprezei a calmaria em alguns casos. O simulacro já não se faz necessário há um tempo, apesar de eu reconhecer a importância que ele teve, tem e terá.

Início um novo capítulo. A Calmaria.

2 comentários:

mariana b. disse...

às vezes tudo o que a gente precisa é deitar um pouco, mas nunca se acomodar.

beijios!

felipe nunes disse...

De todos os seus textos, esse me pareceu o mais real. E tudo me pareceu bem familiar. Se realmente for o que estou pensando, torço para que a calmaria chegue e estacione.