sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Primeiro do ano, semeado de medos e verdades.

Tenho tido dificuldade em escrever - e quem dera fosse por não ter assunto. Escrevo, apago, reescrevo, rasgo e jogo fora. Paro, penso, escrevo novamente, acho idiota, apago e assim vai, tornando-se quase um ciclo vicioso. A grande pressão interna que outrora era a maior de minhas preocupações, diminuiu. Simples assim: estancou, chegou quase ao zero. E fiquei feliz - e ao mesmo tempo com medo. Feliz, primeiramente, porque é quase como se uma tonelada tivesse ido embora, evaporado, sumido. Depois, em segundo lugar - e não menos importante - nasceu o medo.

O medo. Simples desta forma: o me-do. O medo de viver, vivendo. O medo de fazer o certo sem ter a certeza de que, por falta de conhecimento, o certo seja certo. O medo de contar mentiras acreditando estar contando verdades, por conta de acreditar nas mentiras, tornando-as verdades. São medos, um tanto intrínsecos à vida. Tenho vários medos - alguns intensificados. Acho que o maior, sem dúvidas, é o de ser feliz. Não me permito, na maior parte das vezes. E nem é um ato tão voluntário. Quando percebo, já podei, cortei o crescimento da planta, a fixação das raízes. Medo bobo e real. E doído.

Acredito muito e até já disse isso aqui no blog: felicidade não é um todo e sim pedaços. Apesar de tantos medos, acredito viver felicidades, mesmo tendo sua antítese agindo involuntariamente. A pressão já não é problema. Talvez o medo também não possa ser considerado problema. Não sei. Acho que o maior problema é a dúvida, que talvez seja fruto da pressão dissipada com o medo recém-nascido.

E eu fico por aqui, imerso em mais dúvida, medo, verdades e certeza de que nunca soei tão confuso quanto soei agora.

Um comentário:

Niel Rodrigues disse...

Não foi tão confuso assim ^^
Sempre tenho medo de não ser boa o bastante, não por querer agradar (afinal, não é esse o objetivo) mas por pensar que talvez eu seja capaz de muito mais.. Talvez seja sim o inicio do medo, mas quem sabe não é o fim... Sim, o fim. Perceber que não é medo é a "duvida". Lembro-me de uma das minhas musicas preferidas do Engenheiros do Hawaii que diz "quem duvida da vida tem culpa/Quem evita a duvida também".
Não gosto de concluir pensamentos, porque isso muitas vezes nos impede de continuar a pensar no assunto, mas tenho quase certeza, assim como Platão, que uma vida que não é questionada não merece ser vivida. Penso que a felicidade deve estar escondida por entre essas linhas, as que você acha "dignas" de receber teu nome como autor, e as que tem sua autoria mas só você e o lixo sabem...
Amei o texto e blog.