quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O mar de dúvidas e o afogar.

Imaginem um mar. Um mar grande. Bem grande mesmo. Agora imaginem uma situação que envolva o mar. A seguinte: uma pessoa nadando desesperadamente, procurando terra firme, enganando-se com miragens (é, elas não existem somente nos desertos; existem quando o desespero está praticamente tomando o ser). Agora imaginem isso: ele alcança a praia, o pedaço de terra. E isso nos dá algum material para o pensamento. Alguns destes pensamentos podem ser: poxa, agora ele está a salvo! ou finalmente ele se salvou ou será que ele queria realmente se salvar? e por aí vai.

Continuando do ponto que paramos, entramos em uma nova parte da história. Este mar que vocês imaginaram, este mar enorme, bem grande mesmo, é um mar de dúvidas. Nada, além de dúvidas. Ou seja, ele nadara por tempos nesta incerteza, apanhando de marés altas, aguentando tempestades, convivendo com calmarias em alto mar. E a terra que ele alcança é uma das etapas que ele passou. Ele consegue ficar com seus pés em terra firme. Por um intervalo de tempo não cronometrado, ele situa-se entre o ponto máximo de sua certeza e vislumbra, cercado de água, suas dúvidas, neste grande mar.

E pode ser somente questão de momento ou do dia, mas, de alguma forma não explicada, ele está se afogando no mar. Não é possível saber como ou em que ponto ele se perdeu novamente, mas o afogar faz parte de seu ser do agora. Talvez volte para a terra firme de outrora e se concentre em suas certezas, mas, como é impossível saber se há propósito neste novo (e mal calculado) mergulho, talvez se afogue e acabe vivendo de suas dúvidas. Talvez, talvez, talvez.

Um comentário:

Daniela Dias Ortega disse...

Quanta matemática!

Gostei de ler sobre isso, principalmente neste ano, em quevou sentir as consequências de decisões que tomei. E certamente, ainda tenho tempo pra mudar. Se... talvez...

:)

Saudade, Lucas! Manda notícias, não some assim não.