segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre tentativa, culpa e amarras.

Estive pensando e cheguei a uma conclusão: um dia tenho de mexer nos esqueletos que guardo no meu armário. Alguns estão lá já faz um tempo e eu não tenho nem ideia de como e/ou quando mexer neles ou com eles. Tem coisa pesada demais e que já deveria ter sido esquecida. Ao mesmo tempo, claro, penso que poderia tirá-los de lá, fazer uma limpeza, organizar as coisas. Seria, ao menos, saudável. Mas daí recorro, novamente, ao que já presumi de início: tem coisa pesada demais. E quando digo isso, eu realmente (faltam palavras ou expressão em português pra traduzir a exata frase da minha mente agora; logo, vai em inglês) mean it. São coisas que não me sinto pronto pra lidar ainda. E nem sei se algum dia na vida me sentirei. Tenho entendido muito da mente humana; tenho compreendido muito da mente humana; melhor se colocado desta forma. Os getaways das próprias vidas, as necessidades extremas de fuga, de criação desta gigante e forte barreira. Muitas pessoas tratam com descaso, o que, de fato, aumenta a força desta barreira. A vontade dessa fuga. É uma questão subjetiva demais e, pelo fato de ser tão abrangente, é complexa. Não que o que seja complexo deva ser necessariamente tão subjetivo, mas no caso é uma questão até intrínseca ao quê principal. É o mais sincero entender que poderiam lançar ao interior do ser. Entender. Querendo ou não, tudo está relacionado a isso: entender. E quando digo entender, é entender mesmo. Ter noção do que acontece, interpretar tudo, assimilar e, então, talvez aceitar. Até mesmo porque, pelo menos neste caso, não tem uma questão de culpa. Pelo menos eu não enxergo assim. E se algum dia, em sã consciência eu tenha ao menos cogitado entregar a caixinha de culpa para alguém, errei. Errei já no ato de querer esboçar a imagem na minha mente. Errei novamente no ato de delegar culpa a alguém, a não ser a mim, o que já leva a um terceiro erro. Como disse, se houver, neste caso, uma caixinha de culpa, ela está vazia. Pelo menos é mais fácil quando encarado assim. Culpa é uma questão grande demais para ser designada assim, ao léu, a quem bem entendemos. Se alguém aceita carregar a caixinha com culpa dentro, é porque realmente fez algo que mereceu. No caso, não. Nem seria aceitável. E, se fosse aceitável, já teria sido uma culpa prescrita. Já tem tempo demais. Faz tempo demais. É o esqueleto mais velho que guardo e quisera eu ser tão fácil desfazer dele. Mas, claro, quando uma situação como essa chega ao pé que está e os simulacros, quando não desnecessários, estão totalmente aplicados à realidade, existem muito mais discussão do que culpa, caixinha de culpa, inocentes e culpa prescrita. A questão é muito maior e é mais fácil focar nos pormenores de cada fato. É um mergulho imenso no íntimo do que eu poderia chamar de íntimo. É uma viagem, talvez sem volta, aos bosques de uma consciência. Uma caminhada pelas alamedas da mente. E isso, claro, todas são formas de colocar numa subjetividade o simples fato de que tento colocar um pouco da confusão mental que me atormenta diariamente em palavras. São tentativas buscando tentativas que por suas vezes buscam tentativas e assim vai, num ciclo permanente e não muito positivo. A grande questão de ser ou não entendido compreendido transpassa o que com palavras eu poderia esboçar. Almejo muito mais do que algum dia conseguiria explicar. E as amarras na minha cara, no meu rosto, na minha capa, no simulacro maior, por vezes são fortes feias tristes. Mas é a minha única defesa. As amarras e o humor. Duas formas bem distintas, eu sei. Uma aniquila a outra. Uma se opõe à outra e acabam sendo as únicas ferramentas que consigo, de verdade, tirar do armário. Ah, claro, sem me esquecer do simulacro. Os esqueletos ficam lá, sozinhos, no escuro, possivelmente com bastante poeira...

Um comentário:

Daniela Dias Ortega disse...

Eu também tenho que me desfazer de algumas coisas, eu mesma. Antes que elas sejam arrancadas de mim, o que vai acontecer.