sábado, 3 de outubro de 2009

Pitanga.

Vivo dizendo que não sou muito fã de frutas. E não sou. Não mesmo. Mas, com a pitanga, é diferente. Quando vejo uma pitangueira, fico nostálgico. E feliz. Traz uma sensação boa. De conforto. Dá uma saudade grande.

Ninguém nunca disse que seria fácil crescer. Ter responsabilidades. E a pitanga me faz esquecer de tudo por um instante, principalmente pela dificuldade em encontrá-la. Lembro-me de um tempo bom. Minha infância. A casa de minha avó, com aquela pintagueira majestosa, que em toda primavera fazia questão de florir, avisando que aquela suculenta e azedinha fruta estava por vir.

Ahh! Como é bom lembrar-me dos pulos que dávamos para alcançar os galhos mais altos. As melhores estão lá, dizíamos durante aquilo que se tornava uma das grandes diversões do dia. Sinto falta da falta de preocupação, onde o que mais importava era contabilizar, pela sementinha cheia de nervos, quem é que tinha conseguidos comer mais pitangas.

Tenho certeza de ter tido uma boa infância (e uma das últimas verdadeiras), diferente das que as crianças tem hoje em dia. E isso conforta, de verdade.

Semana passada, encontrei uma pitangueira próxima ao meu trabalho. Senti, nesta última pitanga que consegui pegar, do galho mais alto que alcancei, um sabor acima de tudo nostálgico. E, apesar da convicção de que estes tempos não voltam mais, deliciei-me com a semente na boca, tendo certeza de que as memórias na minha mente, existirão pra sempre.

Time kill once.
and if you can't hold on, if you can't hold on...
Hold on.

Nenhum comentário: