terça-feira, 13 de outubro de 2009

Adeus 2008, ainda que ao final de 2009

Achei um texto que escrevi no final do ano passado e, por incrível que pareça, assustei-me com o quanto ele ainda encontra-se atualizado. Segue.

Tinha bebido e fumado muito. Lido bastante. Tinha se destacado por seus textos e algumas de suas produções. Mas não era feliz. Nunca fora, se indagava ao ver qualquer simulacro de felicidade em sua vida. Enxergava-se como uma pessoa difícil de se lidar, confusa para ser entendida, áspera para se relacionar e fria para se conviver. Machucava aos outros sem ver, mas estava acostumado a isso. Afinal, moldara tal habilidade por longos anos. Tinha a arte da solidão praticamente domada, apesar de se recorrer à sociedade em (poucos) momentos de crise. Conheceu a verdadeira face da Saudade - moça jeitosa, concluira. Desejou conhecer a face da Morte. Desejou, também, sumir, desaparecer, começar tudo do zero, assim como alguém que perde a memória consegue.

Estamparam nos jornais, inclusive, tal fato: morre para o passado e para o futuro, escorre juntamente com a vida para o presente: deixa o ano velho e se dá ao novo: chegava ao fim de mais um ano. Chegava ao fim de mais um ano. E tinha uma certeza: tudo era tão incerto quanto sua primordial caminhada, há tantos anos já. E desejou novamente conhecer aquela face de outrora.

Desejou mais encontros com a Saudade e o fruto que os que perdem a memória recebem. Quem conhecer a árvore que oferece tais frutos ou então alguém que tenha sementes, avisem-no. Avisem-no, também, se encontrarem quem arme encontros com a Saudade e com a Morte: pode ser útil.

Para ele, claro.

Tchau 2008, escrevera.

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