sábado, 6 de junho de 2009

SPEAK IN TONGUES

Aninha & sua mãe

Alô disse eu meio naquela de estar sem graça pelo que viria a dizer adiante e ouvi um alô de mesmo tom parecendo prever a mesma situação que eu enxergava. Um tudo bem? seco foi tudo que consegui dizer com a adrenalina já tomando conta do sangue de minhas veias e mais um tudo bem cansado foi o que tive como resposta. Nossos últimos diálogos tinham sido daquela forma: eu pendendo sempre ao pedir e ela pendendo ao desespero do deixar não sendo mesmo a sua real vontade. No íntimo eu sempre me perguntara se de tudo ela sabia ou se ao menos desconfiava, afinal por mais que eu me julgasse uma boa mentirosa eu sempre cria que ela soubesse desejava que ela desconfiasse na mais amarga ciência da minha loucura. Afinal tantas viagens histórias mentiras não seriam tão cabíveis assim. Mãe, ficarei por aqui mesmo, não irei viajar, é sempre assim né, você nos troca por pouco por tudo e mal quer saber o que se passa. Um silêncio cortante pairou naquele instante e por mais que me machucasse disse que não era assim e um é assim sim foi o que já ouvi em seguida. Um novo silêncio se montou e agora juntamente havia um desconcerto uma coisa bastante não confortável o Silêncio Ensurdecedor. Talvez assim fosse mesmo melhor não nos ver nunca mais, não, nunca mais é tempo demais, nem sei se vida terei até o nunca mais, mas o que eu quero dizer é que nós podemos ficar assim por um dois três meses que o que existe estará conosco durante todo o tempo e o que não existe e o que é destruído a cada dia vivido bom isso é impossível de se [re]conquistar. Não, não foi o que eu disse. Ensaiei palavras e frases mas nada ensaiado foi dito como planejado, afinal a beleza de se fazer compreender é na espontaneidade encontrar uma forma de deixar subentendido as razões os motivos o que é real. Não fala assim, mãe, tem jeito para se falar sobre tudo e você quer que eu fale como? só quero que fale mais baixo, discuta, argumente, não fala desse jeito parecendo que eu tô fazendo a pior coisa do mundo, tá bom, é só isso que você tem a dizer? Não é só isso eu também queria muito te dizer que. Eu amo você e que esse amor me sufoca tanto quanto te sufoca mesmo não percebendo. Queria dizer também que nem tudo que pensamos para a vida sai da forma que pretendemos e que quando isso acontece não necessariamente é nossa a culpa, aliás a culpa não é de ninguém porque a vida é de todos e todos quando fazem as suas partes fazem o resultado total fazemos o todo um coexistindo e fazendo da existência alheia uma verdade. É sim só isso mesmo e sei que não sou uma boa filha e sei também que não faço por mal expor o que realmente sei faço digo sou não faria bem para vocês por isso poupo. Tá bem então, mas foi eu quem ligou, mãe, mas você disse não ter mais nada para dizer. Outro Silêncio Ensurdecedor. Tudo bem, mãe, boa noite, beijos e sua benção por mais que eu não acredite nessa porcaria de religião de deus do caralho a quatro. Deus te abençoe, beijos e o telefone me dá o retorno de que o outro lado desligou. Perco-me um pouco no pensamento de que estou fazendo tudo errado na vida que família é importante e me deparo com verdades que me assustam. Família é importante sim mas não este tipo de comportamento infelizmente frio infelizmente tão existente infelizmente. Eu só me sinto sufocada, na maior parte das vezes, sem saber a quem ou a que recorrer. Queria ter um pouco mais de controle da situação, no sentido de ser independente ser livre fazer o que eu bem entender. Hei de conquistar isso. Enquanto não acontece, fico perdida no meio de ligações onde nada é dito sob o pretexto de tudo. E onde palavras vazias fingem ocupar espaços gigantes. Onde significados perdem suas significâncias. Onde este dom de prever as situações não passam de conhecimento. Conhecimento dos que me cercam.

Um comentário:

Daniela Dias Ortega disse...

Is that you? Is that simple? Is she the one I met?
Could be me, sometimes. =/