quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

SOLITUDE

É boa a sensação. Um rock bem tranqüilo rola ao fundo. Um cigarro queima na beirada do piso. Três tocos já estão no cinzeiro. Uma cerveja. Um trago. Mil pensamentos. Andy gostava disso. Realmente fazia um bem que nem mil palavras poderiam descrever. Cerveja derramada na toalha que o esperava após seu banho de chuva. Tudo conspirando a seu favor. Idéias pipocando em sua mente. Uma gota de chuva no seu papel. No seu rosto. Chegara a hora. Banho de chuva. Fria. Fazendo-o se sentir vivo. Mais um cigarro. Ninguém o conhecia. E ele se indagava como podiam tomar conclusões sobre ele. Rejeitava convites, flertes. Não por ter tantas opções. Mas é que já carregava uma carga, senão real, psicológica. Muito grande. Tinha vontade de viver pra si. Deixar tudo pra trás. A solidão o fazia bem. Realmente um bem indescritível. Ele estava prestes a voltar. Voltar para um mundo que o acolhera bem. Pelo menos até onde as pessoas infelizes apareceram. Um mundo onde ninguém entendia de verdade como ele podia ter sobrevivido. Como ele conseguira e ainda conseguia lidar com tudo, apesar do enorme buraco que exergava dentro de si mesmo. Andy ansiava. Por muito. E sabia que um dia teria de passar pelo que passa. Seria a vida como ela é, diria ele. Andy sentia muito. Sentia por ser quem é. Por ser quem não é. Mas principalmente por ser aquele o qual queriam que ele fosse. Destestava fingir, mas sabia que se quisesse a segunda realidade a que tinha escolhido, teria de o fazer.
Andy é quem ele quer ser. E o pior de tudo é que ele não esconde isso. Mas as pessoas enxergam o querem, não é? Apenas. Porém, ele se questionava. Sobre machucar a quem amava, principalmente. A solidão trazia sim sensações boas, mas com elas as verdades que ele escondia até de si mesmo.

É bom escrever sobre nós mesmos colocando a visão em terceiros. Tenho Aninha. Tenho Andy. E realmente é uma coisa que faço por ser mais fácil até de entender a mim mesmo. De entender o que meus anseios significam. Ou de entender até onde um ato meu implicaria em um tipo de auto-destruição. A minha vida e, logo eu, é cheia de contradições. E de verdades não-absolutas. Mas claro que não sou o único. Eu me sinto melhor tentando colocar isso pra fora. Com a questão da solidão. Não que eu queira ser um ser sozinho pra toda a vida. Mas ficar só é um desejo que me faz bem quando realizado. Afinal, essa sensação boa é, como Andy pensa, indescritível. A sensação é boa.

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