domingo, 30 de novembro de 2008

SOBRE ALMAS

Escrito dia 28/11:
Não quero escrever algo denso. Não que eu queira dizer que textos de outrora possam ser considerados densos. Viver está sendo o meu maior papel. Acredito que isso se estenda a muita gente, não sei. Gostaria de poder ter mais almas parecidas com a minha ao meu redor. Falo de alma mesmo, de pequenos gestos que fazem uma identificação grandiosa. Uma palavra proferida se torna quase que uma sentença inteira. Viver com almas parecidas deve ser bom. Acho que posso dizer que conheço algumas. Ou, pra ser sincero e bem simples, duas ou três. Sei que me encontro nestas duas ou três almas. O resto, tentativas. Tentativas num sentido bruto da palavra, não uma batalha sangrenta nem uma luta irremediavelmente travada entre estas almas parecidas. Tentativas simples. O gesto, a palavra dita de forma diferente. Sem respostas grandiosas, sem reações grandes ao estímulo. Sempre tentativas esquisitas. Feias. Algumas até pavorosas. Que me causam ânsia logo que são criadas. E junto sempre a decepção. Não é o caso de alguma coisa em específico. Falo mais sobre a "sensação" de ser. Sobre a veracidade e voracidade de se tentar. E já me remeto a memórias, a atitudes, a tanta coisa que perco o rumo e o foco dos meus pensamentos. Sei que a aflição que me existe e insiste em aparecer em constante realidade toma rumos variados, se abstrai em vários rumos e sentidos, como se minha visão fosse um prisma e refratasse em vez de luz variadas significâncias: significâncias de vida, de meus próprios eus, de coisas triviais e importantes. São várias as vezes que tenho a consciência de que vivo num simulacro de uma velocidade descomedida, num frenesi impressionante. E digo simulacro porque não é uma essencial verdade. E voltando às almas, reafirmo: são almas que me identifico, mas que não necessariamente me completam ou seja recíproca essa identificação. São meros (e não novos) devaneios desta mente que insiste no viver desta inconstância.

Um comentário:

Gaby disse...

Creio q foi nossa amiga Lispector q disse: "não se preocupe em entender, a vida ultrapassa qq entendimento"... A graça está em procurar a resposta sempreeee, achar a resposta daria um pto final às nossas criações.... Viver não é um sim ou um nãooo, acredite sempre no talvez, nas entrelinhas, nas reticências... No porém! Bjux!