sábado, 22 de novembro de 2008

DEVANEIO DOS VINTE ANOS

Enxergo estes vinte anos como um cronista enxerga suas produções. Cada ano com sua peculiaridade. Posso até dizer que cada ano com uma perspectiva diferente. Pessoas diferentes. Diversos eus. Creio que ultimamente venho desmembrando-me em vários, a cada instante do meu dia. Só de pensar que antigamente isto acontecia com menos freqüência... Não sei dizer se isso é uma boa coisa ou não. Sei que estou mais tranqüilo do que antes. Acho que a calmaria deixou a tempestade tomar conta e finalmente estou lidando melhor com tudo. Algumas incertezas deram espaço a pensamentos mais leves, menos preocupados. Acho que a alma finalmente se aquietou um pouco; por certeza digo eu ela estava em extremo conflito, gostaria eu de saber o que. Acho que seria algo em torno daquela busca que o texto abaixo trata. Não, não cheguei a resultado algum, não encontrei nenhum ponto fixo nesse lugar nublado que minha mente se encontra. Só fico feliz nestes momentos que a alvidez toma conta e a claridade encontra espaço para alojar-se na realidade que vivo.

Enxergo estes vintes anos como vinte anos que nada de grande acrescentei a alguém. O máximo que fiz foi fazer alguma coisa por mim. Primeiro feito: parei de tentar entender: entender a mente humana: muita coisa intrínseca à insanidade moral mais vigorosa que possa existir.

Enxergo, também, nestes vinte anos, um descaso descomedido. Este descaso que falo sempre. O entender ficou para trás, mas o ser, a tentativa sempre falha de ser, existe. E o descaso é recebido, ruminado, digerido e com toda a força que posso encontrar exigir mostrar vomitado. Aliás, de vômito (principalmente verbal) é que me faço. Encontro no vômito um encontro com meu eu mais humano, de verdade. Por vezes é difícil encarar estes encontros, principalmente pelas formas que acho para chegar neles.

Enxergo nestes passados vinte anos um ser descomedido (e descrente), uma tentativa sempre contínua de ser, de ser. Um ser acostumado à tempestade, desprezante da calmaria, amante da chuva e seus familiares da literatura do vômito literal da verborragia mais escandalosa que possa existir.

Enxergo neste felicitado de vinte anos uma espinha no meio da testa. Uma felicidade plástica uma vontade imensurável. Vinte e dois de novembro de mil novescentos e oitenta e oito.

5 comentários:

Gaby disse...

só posso dizer: que bom q vc existe! POis onde estariam os textos se aki vc não estivesse? adorooooooooooooo! BJux e sorriso!

mari disse...

ótimo texto, pra variar.
só discordo da parte em que você disse que meio que não acrescentou nada na vida de alguém durante esses 20 anos...
tenho certeza que acrescentou sim! e muito!

parabéns, mais uma vez! pelos 20 anos e pelos textos.

Sonebald disse...

Talvez não.

Sonebald disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela Ortega disse...

Tempo. É algo que não podemos afastar, desconsiderar, fazer voltar, mudar, acelerar, apagar.
A gente sempre faz planos e pensa aquela coisa mágica.
E quando percebemos que estamos lá... onde sempre pensamos que nunca chegaríamos... é triste ver que nada foi como a gente queria, mas talvez daquele jeito não deveria...
Então, aí estão os ditados populares pra nos ajudar a sacodir a poeira e tentar fazer o próximo "lá" acontecer.
Tempo de pausa, tempo de pausa, aniversários.
A gente muda.