quinta-feira, 4 de setembro de 2008

DRYING OUT OF

I
A contradição é perversa. É perversa e faz-se, senão necessária, presente nas mais diversas eventualidades da vida. A contradição é perdidamente insana. Eu não sou nada além da personificação dessa contradição (e então dessa perversão e dessa insanidade). Não me canso de questionar valores e atitudes. Não me canso. Não me canso. E como se apenas não me cansasse, continua nesta infindável busca por uma estabilidade, um ponto no qual pudesse me colocar e me analisar como um único, e então me ver como este diferencial, diferente desta multifacetagem que me acomete. Poderia, então, dizer a todos que. E assim todos entenderiam que. E todos os quês seriam auto-explicativos. E eu poderia então entender a contradição. A perversão. A insanidade. Por conseqüência, me entenderia. E que. que. que.

II
Andy estava sem fumar desde sábado. Depois de uma fracassada tentativa de amizade (como já se tornara usual em sua vida), viu que o que vinha fazendo não era certo. Parecia não ser certo. “Nada me é certo na vida. Ninguém me é certo na vida. Não me vejo certo. Nada me parece ser certo. Não consigo conhecer alguém sem despontar um desejo carnal nesta pessoa. E tantas pessoas se sentiriam felizes com esta habilidade. Tantas pessoas... mas não eu”. Andando pela rua, sóbrio, bem-disposto e até bem-humorado (e até parece não estar mais se falando sobre ele), Andy se encontra com uma garota. Ela parecia ter olheiras tão profundas que realmente prejudicavam a beleza daquele rosto tão jovem. Seus olhares se cruzaram por alguns instantes e então ele caminhou-se até sua casa.
Aninha estava chorando mais uma vez por não conseguir ser quem ela gostaria de ser. De ter quem ela gostaria de ter. Mas, o cigarro estava de lado fazia alguns dias.

III
A excentricidade fazia-se presente desde então: “... ele é diferente... tão diferente... parece ter um ‘quê’ a mais...”, dizia aquele não tão preferido tio. Mas apesar de tudo, ele havia de concordar que ele era o mais sensato desde então. Tenha-se dito.

Um comentário:

T. Berkowitz disse...

Se eu soubesse colocar em palavras o que eu estava sentindo ontem na facul seria exatamente isso:
"Não me canso de questionar valores e atitudes. Não me canso. Não me canso. E como se apenas não me cansasse, continua nesta infindável busca por uma estabilidade, um ponto no qual pudesse me colocar e me analisar como um único, e então me ver como este diferencial, diferente desta multifacetagem que me acomete. Poderia, então, dizer a todos que. E assim todos entenderiam que. E todos os quês seriam auto-explicativos."

Você escreve MUITO, mas MUITO bem!
Que saudade de conversar com você... espero que tudo dê certo. Pensar que não, me desanima tanto.
TE AMO
(L)