domingo, 17 de agosto de 2008

ANDY

Então ele sentou-se no breu da noite. Pegou um cigarro de sua carteira, acendeu. Deu a primeira tragada. Assim como sua vida, ele sabia que a efemeridade daquele leve torpor que sentira era totalmente fugaz. A sua vida era de uma fugacidade tremenda. Os momentos. Cada momento tinha sua singularidade. Cada momento, unindo-se aos demais, resultava no que ele conhecia. Em tudo o que ele conhecia. Em sua vida. Sua morte. Sua morte. Quem aí não acredita que a vida e a morte caminham juntas levante a mão, ele gritava fazendo sua sentença ecoar. Para ele, a morte acontecia a cada segundo. E claro, mais uma vez ele não estava errado. A morte acontecia em cada final de frase, em cada término de pensamento, em cada relacionamento rompido, cada acontecimento rotineiro. A morte acontecia ao fim da vida da mesma forma que acontecia no começo. O nascimento era uma morte. Uma fugaz morte do desconhecido. Do novo. A morte cedendo espaço para a vida. E vice-versa. E ele se questionava quanto a conceitos, quanto ao tipo de realidade que ele era exposto diariamente. Aos tipos de pessoas, comportamentos. Desejos, anseios, situações. Ele não conseguia acompanhar a mudança. As mudanças. A mutabilidade das coisas, das pessoas, dos sentimentos. Dos desejos, dos anseios. As suas próprias mudanças! E ele questionava tudo. Colocava em perspectiva tudo o que vivera até ali, todos os relacionamentos que tivera. Todos os relacionamentos que vivia. Sentia-se uma pessoa mundana. Uma pessoa que era aberta a tanto. A tantas. A tantos. Uma pessoa que conseguia entender o ininteligível. Aceitar o inaceitável. Crer no... Era uma pessoa. Sim, uma pessoa. Talvez uma pessoa que o mundo pudesse aceitar da forma que se expunha. Mas somente o mundo. Mergulhado em suas palavras, ele conseguia fazer-se em três, quatro. Cinco. Seis, sete, oito. NOVE. Dez!!! Ele fazia-se em tantos. Em casa fazia-se de uma forma, no local de trabalho comportava-se de outra. Nos shows de róque and roll se portava de uma maneira diferente. Colocava-se de uma forma perante meninas, de outra perante os meninos. Colocava-se de maneira diferente. Fingia. Atuava. Vivia. Se contradizia! Não era forte o bastante pra sustentar todos os seus esdrúxulos pontos de vista e visões de mundo. Era sim muito mundano, mas a força que o sustentava era muito diferente da força que o impulsionava. E ele esperava. Sendo um ponto positivo ou não, ele esperava. Sentado lá, no breu da noite, com seu cigarro quase ao fim, ele esperava. Sentado no frio, esperava. Conversava emudecido com o vento. Com a fumaça de seu cigarro. Com seus pensamentos. Gritava estridentemente em silêncio. Entendia o seu silêncio, ou pelo menos era acolhido por ele. Seu cigarro chegara ao fim. Andy então decidira levantar-se. Dera uma última olhada pela grade e descera. Fora dormir.

Um comentário:

T. Berkowitz disse...

Texto maravilhoso! Me identifiquei muito com o Andy. Por enquanto até agora né. hauehauea

E adorei a mudança do blog! *.* de verdade.

Te amo demais. <3