domingo, 20 de julho de 2008

OS NUNCA ACABADOS

É incrível a quantidade de textos que já escrevi que não tem um final. Simples, um desfecho. Eu tenho idéias, vários insights, mas quando começo a passar pro papel, em boa parte das vezes simplesmente não flui. Lembro-me de um texto que comecei a discorrer sobre as cores que me remetem à infância. Em determinada parte da análise, simplesmente me acabaram os argumentos, ou ocupei a mente com outra coisa. Não mais importante, tenho certeza. Lembro que comentava que algumas cores faziam-me lembrar de certos acontecimentos de minha infância; outrora dizia sobre cores que lembravam acontecimentos ligados à infância no geral. E aqui dou um final digno para este: sim, as cores me remetem à infância, mas as músicas e as cores vivas do vídeo remetem-me a lembranças mais profundas.
Mas não é sobre um texto não acabado em específico que quero falar. Eu falo dos textos. E claro, analogicamente, exprimo minha cosmovisão. Eu já acreditei em horóscopo (e confesso que por vezes ainda deixo-me acreditar) e pode parecer laical afirmar isso, mas certa vez li uma característica sagitariana que insiste em estar presente na minha vida. Lembro-me exatamente da frase: “O sagitariano anseia pelo novo, por coisas novas: não consegue se focar numa coisa até o final, por isso é freqüente ver uma pessoa do signo de sagitário em mudança constante.” Sim, eu anseio pelo novo, por coisas novas. E sim, infelizmente, não consigo focar toda a minha atenção numa coisa só. Por isso, acabo sempre deixando de fazer isso ou aquilo, deixo de falar com esta pessoa por causa daquela, deixo de seguir determinado pensamento ‘por ter controle da minha própria vida’ e não simplesmente por ‘aceitar que mudo’.
Os meus textos não têm finais. E quando há um final, a coerência se perde para quem me lê. Esta é também uma das minhas marcas, se é que posso assim dizer. Refiro-me muito a diversas situações em que somente eu sei do que estou falando. E quando há qualquer outra espécie orgânica de vida que conhece o conteúdo que escrevo, brinco com as palavras e escondo o que quero dizer, utilizo subterfúgios para falar das coisas em geral. E claro, volto ao ponto que já disse: acabo escrevendo somente a mim mesmo, pois a coerência é perdida aos olhos de terceiros.
A falta de finais também pode ser equiparada a outra característica minha: a falta de certeza. Eu sou inseguro perante muitas coisas na minha vida. Não gosto de explicitar essa incerteza de que falo, mas, tem muito de mim que, quanto mais conheço, mais desconheço. Falo de um sentimento diferente. Pouca coisa no mundo consegue me comover. Digo, não sou uma pessoa insensível. Apenas acho que a falta de finais me falta também às horas mais impróprias. Poucas são as vezes que sei o que realmente dizer. Padeço sobre vários silêncios ensurdecedores, sou atormentado por questões triviais que as pessoas insistem em usar. Acometo-me quase que de uma loucura quando sou obrigado a manter algum tipo de diálogo com pessoas que não apresentam qualquer afinidade comigo. Mas, há um pequeno fator amenizador: sou feito de uma ambigüidade descomedida, portanto, não são necessárias mais palavras.
Fazia um bom tempo que não conseguia deixar meus pensamentos fluírem bem, como acredito que fiz agora. Mesmo discorrendo sobre a minha falta de coerência para comigo mesmo, consegui finalizar um pensamento e, enfim, dar um final coerente a este texto. Ou não, cabe a quem me lê aceitar isso como uma verdade.

5 comentários:

Maicom disse...

Claro. Você foi claro nas suas palavras. Um pouco de inquietação, talvez. Normal... A vida é uma constante evolução. Conseguir desenvolver idéias e ainda fazer as pessoas refletirem um pouco, é uma e tanto.

mariana disse...

isso sempre me acontece com roteiros!!!
adoro "escrever" curtas, mas os finais tendem em não aparecer :((

beijinhos

Gaby disse...

É... Meus textos são reticências, talvez os seus sejam também... Sabe pq? É mto fácil falar do outro, da outra coisa, do outro lado da rua, da outra vida, da outra pessoa... Mas falar de si mesmo é mto complexo... E a gente cresce assim... Aprendendo a falar de tudo, menos de nós mesmos... Os professores nos colocam para falar sempre do outro; do político, do Ayrton Senna, do Cabral.... Bush... Narrar o alheio é fácil, descrever o íntimo é praticamente impossível... E não se preocupe com o final, a conclusão. Esta é sempre a parte mais difícil, ter q encerrar qdo se tem mto a dizer, coisas q o coração sente e q as palavras não podem expressar, coisas q continuarão acontecendo mesmo depois q paramos de discorrer... Eu já me desapeguei do THE END, a vida não é um sim ou um não, afinal p que serve o TALVEZ? Reticências, três pontinhos... Na metamorfose constante e na efervescência de sensações! "..."

Igor Palhares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Igor Palhares disse...

Eu já escrevi sobre "o novo". Eu almejo demais o que pode mudar minha vida, nem que seja ao menos por um instante. Algumas vezes é quebrar a cara e continuar a vida, outras é tentar, não das mesmas formas, mas... de todos os outros jeitos não tentados. Ainda mais que a minha vitória não está em conseguir as coisas, mas sim em tentar.

É a velha e sintilante magia das portas... Você pode abrir qualquer porta, mas você nunca terá sempre certeza do que realmente estás do outro lado. É possivel imaginar, supor e prever, mas... Tudo é variavel, sua vida pode mudar em quinze minutos, lembra?

http://eudevosaber.blogspot.com/2008/06/novo.html

Boa noite ;]