quarta-feira, 21 de maio de 2008

SEDE

Após viajar tanto pelas montanhas da vida, é possível que deparemo-nos com uma fonte cristalina. Sabe, aquela fonte que nos instiga a chegar mais próximo e, instantaneamente sentir o desejo de com as mãos em forma de concha, sorver nossa insaciável sede. Nós, tão inóspitos e desmerecedores de tal água. Tão nocivos. Como podemos adentrar tal espaço com a certeza de que podemos tocar tal fonte? Aquela fonte, que mal conhecemos, que, de tão viva, voraz e limpa, revela em nós mesmos uma vontade imensurável de tê-la, de a modo de bebê-la, sê-la. Mas, sê-la a modo de a partir de inocência tão pura, mudarmos conceitos que já pré-estabelecemos em nossa pacata e efêmera existência. Se possível fosse, renovaríamos nossa vida a partir de tal acontecimento. Uma fonte cristalina. Passamos diariamente por milhares delas e raramente notamos. Há potenciais fontes ao nosso redor, agora, ao momento que estou a escrever e você a ler. Somos tão severos com o mundo que sequer aproveitamos do que ele nos oferece. Temos sempre que ir a mundo aquém-nosso para que possamos enxergar a beleza ímpar que uma fonte nova traz. Beleza no sentido mais honesto, honrado e sereno que possa existir. A beleza que nos instiga a tê-la. Fontes cristalinas, estas tão raras, porém tão comuns. Tão pertencentes ao mundo que as abriga. Nossa sede. Sede de pessoas (fontes). Sede insaciável. Sede que escancara nossas contradições, nossas mais íntimas incoerências. Minha sede de pessoas. Eu tenho uma sede enorme de pessoas. De a partir de um próximo, unir-me sendo um só, uma união de saber, de anseios. Da vontade de partilhar de tudo. Eu tenho sede de palavras. Tenho sim, sede e saudade de algo que não posso tocar nem sequer beber. Simples assim, sede.

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