sábado, 26 de abril de 2008

FRASES E PALAVRAS (ao léu?)

E lá vai ele com suas palavras. Vem encontrando um pouco de dificuldade para colocá-las no papel ultimamente. E nem é falta de tempo, ele faz questão de avisar. Ele está com um pouco de problemas em suas relações interpessoais, mas isto é momento de fase, crise, como ele diria, sempre nesse vem e vai, nesse indeciso e inconstante conflito. Conflito este que ele sempre faz questão de evidenciar, mas que verdadeiramente nem ele mesmo o entende. E vem ouvindo frases nos últimos dias que vai deixando-o, de forma ou outra, afetado. Ouviu da boca de Bowie "make me baby, make me know you really care, make me jump into the air; and keep rocking into my head"e começou a se perguntar quando é que este baby vai voltar a existir em sua vida. Ele sabe que por vezes é deveras exigente e que, dos primórdios de sua adolescência, ele enxergou uma grandiosa visão que teve de seu futuro: um homem sozinho. E ele experimenta dessa verdade de vez em quando e ainda avisa "não, não é muito boa esta situação". Mas daí ele passa a se envolver mais com uma criação própria, uma frase que ele pensa "esta pode dar uma história envolvente, um texto reflexivo ou até mesmo um livro" e anota. Ele refere-se à frase "about becoming someone who doesn't cry anymore" e de repente ele pára e se pergunta: "esta frase é mais uma criação ou é bem uma verdade que me acomete?" Há um silêncio entre o entender da pergunta, o processar da mesma e a não existente resposta.

E ele sempre se analisa, sempre busca encontrar respostas a seus anseios, a entender o motivo que leva pessoas a fazerem certas ações. E mais uma frase o acomete: "whatever it takes". E ele fica a se martelar com uma indagação. Pergunta-se se realmente não importa, que "aconteça o que acontecer", aconteceu. Ele sabe que não é bem assim, e que não acredita muito nessa afirmação. E ele então repreende-se: "it's not gonna work, right?" e ouve de si mesmo "no way". E ele pede a palavra, com um pouco de fúria, por mágoas passadas, por repreensões que nunca liberou. I hate when people expect from us some kind of stuff that we just can't give them. Sim, não sou a perfeita definição de insanidade, mas, no meu íntimo sei que ela acomete a todos. E à mim. Sei também que a loucura não passa de uma solidificação do que conhece-se de sanidade.E consigo ainda o ver, cansado em seu ser. Cansado de tentar. Cansado de estar sempre ali, da mesma forma pra todos e não receber de volta uma recompensa. Como outra vez escrevera, vejo-o ansiando por liberdade. Porém criticou duramente a mesma. "Como almejar uma liberdade onde ser livre significa ainda viver sob algum tipo de regra?" E, não tendo muito alguma referência, mas ainda assim tendo algum significado, certa vez ele dissera simplesmente "it's easier to lie". E pra falar a verdade, por vezes é bem mais fácil mesmo. Mas não falo nem sobre mentira propriamente dita. Falo em um omitir. Conseguimos evitar desastres não deixando tudo à mostra. Then he's touched by the sound of the silence. Esse som terrificante. E ele deseja apresentar em versos certo trecho que outrora escrevera. E vai em frente.

"Cadê tu que há tanto te desejo
mesmo sem nunca ter te visto?

Ando sem saber
como, onde e até quando te esperar.

Consigo enxergar
apenas a voracidade que teu ser produz.

Já sinto a necessidade de ter o calor do teu corpo.
Saberei eu reconhecer-te
quando pela primeira vez te encontrar?
Por tanto ansiar por este dia,
sinto um pequeno receio em decepcionar-me.

Onde estás? Onde estás que
sei que existes, mas que a meu mudo chamado
não respondes?"

E no emaranhado de porquês, respostas, verdades e mentiras, esvai-se, confundindo realidade com ficção. Deixando a pluralidade de lado, falo de minha verdade, minha ficção. Minha então, realidade, difusa em frases, versos e analogias que só eu mesmo sei entender.

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