as pessoas deveriam ter menos temor de serem ridículas. deveriam ter menos medo de se entregarem ao próprio medo; de se entregarem ao amargo da derrota; de serem infelizes. deveriam aceitar que a vida é muito efêmera e que é impossível ser feliz a todo tempo. a felicidade é encontrada em pequenas fagulhas pequenos momentos ensejos dosados de sensações e emoções diversas. o belo e sincero da vida é também aceitar que nem sempre temos motivos claros certos ideais para estar feliz...
new home
sábado, 24 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
assim é o tempo
violo e quebro regras
neste jogo do escrever
simples assim:
por mero prazer
minha falta de pontos
pontuam bem
meus desencontros
simples assim
a bel-prazer
mudo faço digo penso
sem pausas sem tempo
porque o tempo... ah, o tempo...
o tempo é responsável pelo
meu prazer
meu escrever
meus desencontros
meu desalento.
neste jogo do escrever
simples assim:
por mero prazer
minha falta de pontos
pontuam bem
meus desencontros
simples assim
a bel-prazer
mudo faço digo penso
sem pausas sem tempo
porque o tempo... ah, o tempo...
o tempo é responsável pelo
meu prazer
meu escrever
meus desencontros
meu desalento.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
tanto amor
o problema de joão é que ele amava josé maria roberto e adalberto e ainda gostava do prazer de sentir o gosto da falta de vírgulas na boca. da mesma forma que joão, josé amava maria roberto adalberto e joão. eram lampejos loucos sinceros puros e singelos de facetas de um amor tranquilo amor sadio de amor de pura forma composta e simples e tudo ao mesmo tempo. maria amava roberto adalberto joão e josé da mesma forma que também amavam a todos roberto e adalberto. uma reciprocidade sem tamanho jamais vista jamais pensada jamais vivida bradara um dos cinco ou uníssonos bradaram os cinco àquela sentença sem vírgulas. josé maria roberto e adalberto lembraram de se indagar qual seria o problema que joão enxergava naquele amor múltiplo sincero imaculado inocente limpo e joão só sabia dizer que não sabia explicar e que o problema na verdade não era problema não fora problema e não seria problema: ele só tinha medo de que um dia da mesma forma que surgira este amor esvairia. maria sempre pés ao chão mesmo tamanha confiança naquele amor bradara de forma sutil com uma quase-raiva quase-evidente que aquilo era aquilo e pronto: era verdadeiro: não havia mais nada a se preocupar.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
cry when you get older
tina tinha uma tara sexual que não contava à ninguém. e, pudera, galgados pelo estereótipo ao qual a sociedade a enxergava – a frágil e doce e responsável e dedicada tina – a menina não podia ser. menina, não, mulher, rispidamente bradara numa tarde cinza feia & chata. fora quando dera seus primeiros passos em busca de seu desaprisionamento. foi mais ou menos quando começara a fumar. tinha dezessete anos tinha fugido de casa tinha medo. tinha tido. tina perdera-se na vida. de transloucada psicodélica perdida no meio de viagens transcendentais cujo veículo fora o próprio corpo, à fissuras paranoias e angústias fomentadas pelo ópio pelo pó pela vida. experimentara tudo (ou quase): experienciara, principalmente, o que não queria o que desconhecia o que temia. o que não experimentara, como pudera?, pensara, era aquela tara sexual abarcada ainda na adolescência. conhecera mulheres, participara de alguns ménage à trois, fora à orgias. não gostara das experiências homoafetivas intensas – namorara ana, maria e ana maria – mas vez ou outra estava de beijinhos com amigas. nos ménage que fizera, queria sempre mais a atenção de uma das partes: frustrava-se ao partilhar. das orgias, não gostava de comentar. na última delas, tentara realizar sua maior fantasia sexual: não conseguira. queria muito torná-la real e perdera-se na matemática real do dia em que esse momento chegaria. o silêncio da infância, o ecoante grito do final da adolescência e o frenesi da vida adulta sempre cobriram uma cicatriz que tina nunca mostrara ou falara a ninguém. bem como sua tara sexual.
sábado, 3 de dezembro de 2011
de fazer chorar
olhando o que passara nos últimos dias
nada mais queria fazia sentia pedia
que um pouco de sobriedade
e sabia que os deletérios de seus
excessos exageros e de sua doce essência
o colocaria em voga em xeque em cena
mas que ao frenesi ao caos à embriaguez
a estes ele estava fadado predestinado condenado.
nada mais queria fazia sentia pedia
nada por conta própria.
por ela, ó embriaguez que orienta tal vida,
que quer que faz que sente que pede,
agora faz-se instaurada nova realidade
não mais opto por ser estar
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
street spirit
quando nos cansamos de algo alguém alguma coisa é porque este algo este alguém esta alguma coisa já nos agraciou magoou norteou ajudou sufocou. ou não. pode ser pelo simples fato de que as coisas uma hora ou outra chegam ao fim. sábios aqueles que não se martirizam que não se doem que não se torturam com tentativas de um entender que já chegam ao mundo natimortos. ela disse que precisava de aventura em sua vida, ele reconheceu e desde então fizera tudo para levá-la àquela sem volta viagem ao remoto mundo dos que têm sonhos. aqueles que têm sonhos vão ao longe e desfrutam de sabores incríveis: ora doces ora salgados ora sabores indescritíveis: o sabor da invólucro o sabor do desconhecido o sabor do nunca-experimentado. por mais relutante que outrora estivesse, não mais bebia de tal fonte: já era certo: decidira: partiria: viveria. concluira que a vida experimentava de efemeridade absurda atordoante quase improrrogável. dos cigarros, sabia, alimentava sua alma mundana. das bebidas, sabia, saciava a sede da transcendência. mas, não galgava nestes artifícios o molde do seu âmago do seu íntimo do seu ser. utilizava-os como subtérfugios para não se entregar à loucura. loucura. loucura esta que ela não sabia se ela própria invocava se a inspirava se a adoecia ou à qual ou aos quais se ela poderia ser responsável: por vezes apenas figurada, outrorara encarnada em sentimentos e ações. o mundo dos sonhos parecia distante em demasia, mas ela confiara. hora ou outra chegaria lá, lá chegaria hora ou outra.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
gosto amargo da alma
escrevera num papel, a contragosto, sem muito pensar. descobri que os gostos amargos sentidos pela alma têm o gosto da traição. e que o gosto amargo da traição, na verdade, não fora apenas sentido: fora descoberto. o gosto da descoberta, aquele cheirinho de coisa nova com um toque de desconhecido e, sem dúvidas, sem qualquer vestígio de traíção, dançava com sua antítese: um par tão diferente com gostos tão opostos mas de uma certeza vibrante. sem pestanejo, concluira: aquilo era diferente.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
meu amor de segundas-feiras
aconteceu mais ou menos assim: do acaso um caso, mas não daqueles comuns. ele não sabia de nada. já eu sabia de algumas coisas. através da fissura, entretanto, tornara-se um companheiro. ele doava sua mais íntima atenção. atenção descomedida, com acréscimos de conhecimento, numa mútua e sadia troca. ah!, aquele era meu amor de segundas-feiras. amor sincero e amor singelo. simples puro quase inocente. amor que não sobreviveria à palavras ao toque aos gestos mas que de alguma forma, em seu contorno mais real, esboçava sinceridade tão grande que obter mais do que era me ofertado seria ganância. não quero. já quis. hoje, já conseguia nutrir-me de simplicidade. e enxergava-me feliz. foi mais ou menos assim que acontecera.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
nota do dia a dia
navegando
de onda em onda
ela ia se fazendo
se entendendo
buscando
querendo
tentando
domingo, 2 de outubro de 2011
something so Mary to rely on
madrugada fria, ela sozinha
um cigarro aceso e um medo
brisa úmida e tão rara
pra ouvir, apenas a natureza
num sentimento místico-urbano
os carros em alta velocidade na pista próxima
soavam como ondas no meio daquele plano inteiro
o som remontava ao que um dia já fora verdade
nesta imensidão solitária
com aquela brisa fumando o cigarro
ela pensava, sorria e, então,
libertava seu medo
com um sorriso sincero
um marejo gostoso
e um assopro ligeiro
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